Visão cristã
   Confissões de um antigo maçom

Caro Internauta, veja só que entrevista impressionante apareceu em www.zenit.org! Leia com atenção!

 

Maurice Caillet, venerável de uma loja maçônica durante 15 anos, revela segredos da Maçonaria em um livro recém-publicado por «Libroslibres», com o título «Yo fui mazón» («Eu fui maçom»).

 

Rituais, normas de funcionamento interno, juramentos e a influência na política desta organização secreta saem agora à luz, em particular as implicações do juramento que obriga a defender outros «irmãos» maçons.

 

O volume revela também a decisiva influência da Maçonaria na elaboração e aprovação de leis, como a do aborto na França, da qual ele, como médico, participou ativamente.

 

Caillet, nascido em Bordeaux (França) em 1933, especializado em Ginecologia e Urologia, praticou abortos e esterilizações antes e depois de obterem de amparo legal em seu país. Membro do Partido Socialista Francês, chegou a cargos de relevância na área da saúde pública.

 

– Quando você entrou oficialmente na Maçonaria?

 

– Maurice Caillet: No início de 1970 me convocaram para uma possível iniciação. Eu ignorava praticamente tudo acerca do que me esperava. Tinha 36 anos, era um homem livre e nunca me havia afiliado a sindicato nem partido político algum. Assim, pois, uma tarde, em uma discreta rua da cidade de Rennes, chamei à porta do templo, cuja frente estava adornada por uma esfinge de asas e um triângulo que rodeava um olho. Fui recebido por um homem que me disse: «Senhor, solicitou ser admitido entre nós. Sua decisão é definitiva? Você está disposto a submeter-se às provas? Se a resposta for positiva, siga-me». Fiz um gesto de acordo com a cabeça. Colocou-me então uma venda preta sobre os olhos, segurou-me pelo braço e me fez percorrer uma série de passarelas. Comecei a sentir certa inquietude, mas antes de poder formulá-la, ouvi como se fechava a porta detrás de nós...

 

– Em seu livro «Yo fui mazón», você explica que a maçonaria foi determinante na introdução do aborto livre na França em 1974.

 

– Maurice Caillet: A eleição de Valéry Giscard d'Estaing como presidente da República francesa em 1974 levou Jacques Chirac a ser eleito primeiro-ministro, tendo este como conselheiro pessoal Jean-Pierre Prouteau, Grão-Mestre do Grande Oriente da França, principal ramo maçom francês, de tendência laicista. No Ministério de Saúde colocou Simone Veil, jurista, antiga deportada de Auschwitz, que tinha como conselheiro o Dr. Pierre Simon, Grão-Mestre da Grande Loja da França, com o qual eu mantinha correspondência. Os políticos estavam bem rodeados pelos que chamávamos de nossos «Irmãos Três Pontos», e o projeto de lei sobre o aborto se elaborou com rapidez. Adotada pelo Conselho de Ministros no mês de novembro, a lei Veil foi votada em dezembro. Os deputados e senadores maçons de direitas e esquerdas votaram como um só homem!

 

– Você comenta que entre os maçons há obrigatoriedade de ajudar-se entre si. Ainda é assim?

 

– Maurice Caillet: Os «favores» são comuns na França. Certas lojas procuram ser virtuosas, mas o segredo que reina nestes círculos favorece a corrupção. Na Fraternal dos Altos Funcionários, por exemplo, negociam certas promoções, e na Fraternal de Construções e Obras Públicas distribuem os contratos, com conseqüências financeiras consideráveis.

 

– Você se beneficiou destes favores?

 

– Maurice Caillet: Sim. O Tribunal de Apelação presidido por um «irmão» se pronunciou sobre meu divórcio ordenando custos compartilhados, ao invés de dirigir todos a mim, e reduziu a pensão alimentícia à ajuda que devia prestar a meus filhos. Algum tempo depois, após ter um conflito com meus três sócios da clínica, outro «irmão maçom», Jean, diretor da Caixa do Seguro Social, ao ficar sabendo deste conflito, me propôs assumir a direção do Centro de Exames de Saúde de Rennes.

 

– O abandono da maçonaria afetou sua carreira profissional?

 

– Maurice Caillet: Desde então não encontrei trabalho em nenhuma administração pública ou semi-pública, apesar de meu rico currículo.

 

– Em algum momento você recebeu ameaças de morte?

 

– Maurice Caillet: Após ser despedido de meu cargo na administração e começar a lutar contra esta decisão arbitrária, recebi a visita de um «irmão» da Grande Loja da França, catedrático e secretário regional da Força Operária, que me disse com a maior frieza que se eu recorresse à magistratura trabalhista eu «colocaria em perigo minha vida» e ele não poderia fazer nada para proteger-me. Nunca imaginei que poderia estar ameaçado de morte por conhecidos e honoráveis maçons de nossa cidade.

 

– Você era membro do Partido Socialista e conhecia muitos de seus «irmãos» que se dedicavam à política. Poderia me dizer quantos maçons houve no governo de Mitterrand?

 

– Maurice Caillet. Doze.

 

– E no atual, de Sarkozy?

 

– Maurice Caillet: Dois.

 

– Para um ignorante como eu, poderia dizer quais são os princípios da maçonaria?

 

– Maurice Caillet: A maçonaria, em todas as suas obediências, propõe uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade, ainda afirmando que esta é inacessível. Rejeita todo dogma e sustenta o relativismo, que coloca todas as religiões em um mesmo nível, enquanto desde 1723, nas Constituições de Anderson, ela erige a si mesma a um nível superior, como «centro de união». Daí se deduz um relativismo moral: nenhuma norma moral tem em si mesma uma origem divina e, em conseqüência, definitiva, intangível. Sua moral evolui em função do consenso das sociedades.

 

– E como Deus se encaixa na maçonaria?

 

– Maurice Caillet: Para um maçom, o próprio conceito de Deus é especial, e isso se menciona, como nas obediências chamadas espiritualistas. No melhor dos casos, é o Grande Arquiteto do Universo, um Deus abstrato, mas somente uma espécie de «Criador-mestre relojoeiro», como o chama o pastor Désaguliers, um dos fundadores da maçonaria especulativa. A este Grande Arquiteto se reza, se me permite a expressão, para que não intervenha nos assuntos dos homens, e nem sequer é citado nas Constituições de Anderson.

 

– E o conceito de salvação?

 

– Maurice Caillet: Como tal, não existe na maçonaria, salvo no plano terreno: é o elitismo das sucessivas iniciações, ainda que estas possam considerar-se pertencentes ao âmbito do animismo, segundo René Guenon, grande iniciado, e Mircea Eliade, grande especialista em religiões. É também a busca de um bem que não se especifica em nenhuma parte, já que a moral evolui na sinceridade, a qual, como todos sabemos, não é sinônimo de verdade.

 

– Qual é a relação da maçonaria com as religiões?

 

– Maurice Caillet: É muito ambígua. Em princípio, os maçons proclamam com firmeza uma tolerância especial para com todas as crenças e ideologias, com um gosto muito marcado pelo sincretismo, ou seja, uma coordenação pouco coerente das diferentes doutrinas espirituais: é a eterna gnose, subversão da fé verdadeira. Por outra parte, a vida das lojas, que foi minha durante 15 anos, revela uma animosidade particular contra a autoridade papal e contra os dogmas da Igreja Católica.

 

– Como começou seu descobrimento de Cristo?

 

– Maurice Caillet: Eu era racionalista, maçom e ateu. Tampouco estava batizado, mas minha mulher Claude estava doente e decidimos ir a Lourdes. Enquanto ela estava nas piscinas, o frio me obrigava a refugiar-me na Cripta, onde assisti, com interesse, à primeira missa de minha vida. Quando o padre, ao ler o Evangelho, disse: "Pedi e vos será dado: buscai e achareis; chamai e se vos abrirá", aconteceu um choque tremendo em mim porque esta frase eu ouvi no dia de minha iniciação no grau de Aprendiz e a costumava repetir quando, já Venerável, iniciava os profanos. No silêncio posterior – pois não havia homilia – ouvi claramente uma voz que me dizia: "Pedes a cura de Claude. Mas o que ofereces?". Instantaneamente, e seguro de ter sido interpelado pelo próprio Deus, só tinha a mim mesmo para oferecer. No final da missa, fui à sacristia e pedi imediatamente o batismo ao padre. Este, estupefato quando lhe confessei minha pertença maçônica e minhas práticas ocultistas, me disse que fosse ver o arcebispo de Rennes. Esse foi o início de meu itinerário espiritual.

 


Maurice Caillet
 



Escrito por Pe. Henrique às 23h20
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   Palavra de Deus para a Dedicação do Latrão

Leitura da Profecia de Ezequiel (Ez 47,1-2.8-9.12)

Naqueles dias, 1o homem fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Aonde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida aonde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

 

Salmo responsorial (Sl 45)

Os braços de um rio vêm trazer alegria

à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.

 

O Senhor para nós é refúgio e vigor,

sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia;

assim não tememos, se a terra estremece,

se os montes desabam, caindo nos mares.

 

Os braços de um rio vêm trazer alegria

à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo.

Quem a pode abalar? Deus está no seu meio!

Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.

 

Conosco está o Senhor do universo!

O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus

e a obra estupenda que fez no universo:

reprime as guerras na face da terra.

 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 3,9c-11.16-17)

Irmãos, 9cvós sois construção de Deus. 10Segundo a graça que Deus me deu, eu coloquei — como experiente mestre de obra — o alicerce, sobre o qual outros se põem a construir. Mas cada qual veja bem como está construindo. 11De fato, ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo.

16Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? 17Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo e vós sois esse santuário.

 

Aleluia, aleluia, aleluia! (2Cr 7,16)

Esta casa eu escolhi e santifiquei,

para nela estar meu nome para sempre.

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 2,13-22)

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isto daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” 17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”. 18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?” 19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias o levantarei”. 20Os Judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?” 21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.



Escrito por Pe. Henrique às 17h03
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   Estudo bíblico-catequético para a Dedicação da Basílica de Latrão

1. Quando uma festa litúrgica em honra do Cristo ocorre no Domingo, ela se torna solenidade. É o caso de hoje: a Dedicação da Basílica do Latrão, Catedral do Papa, Bispo de Roma.

è No século IV o Imperador Constantino deu esse grande edifício ao Papa são Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma.

è A nova Catedral foi dedicada ao divino Salvador e, mais tarde, também aos santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão. Pois bem, a presente solenidade traz-nos è mente e ao coração três aspectos da nossa fé.

 

2. Um primeiro aspecto:

è Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo: ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei... Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo”.

è É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo... Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas... que servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

è A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Leia Jo 19,32-35.

è Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai. Poder-se-ia colocar uma placa de mármore na fachada de cada igreja com os dizeres: “A Deus em honra de São...” A Deus, isto é, templo consagrado a Deus somente, em honra do santo titular daquele templo.

 

3. Um segundo aspecto:

è A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!”

è Nossos templos são chamados de “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. è Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!”

è Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Na Igreja, não somos espectadores; somos atores, somos participantes!

è Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça! 

 

4. Um terceiro ponto:

è A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da Cidade e do mundo”.

è A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside à todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos no ano 97, Santo Inácio de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”...

è O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro. Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Bento XVI. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja.



Escrito por Pe. Henrique às 17h02
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Lições vermelhas e azuis...

Gostaria de partilhar com você, meu paciente e fiel leitor, alguns pensamentos sobre a recente eleição para a presidência dos Estados Unidos.

 

Primeiramente reafirmar minha profunda admiração pela democracia estadunidense. Lá, o ato de votar é uma festa e algo normal; não é cercado de tanta leizinha boba, tanta proibição ditatorial, tanta cerimônia tola como no Brasil. O TSE inferniza a nossa vida na época de eleição com um moralismo tolo que nada tem de cívico. É a mentalidade tacanha dos países latino-americanos. E só.

 

Comoveu-me o discurso do candidato derrotado: a declaração de amor ao País, o sincero e leal reconhecimento da derrota, os votos ao novo Presidente e a promessa de ser-lhe fiel no exercício da cidadania. Também a postura nobre e equilibrada do vencedor, com a consciência de que agora é o presidente de todos os estadunidenses.

 

 

 

Por outro lado, dá-me pena e asco algumas análises dos meios de comunicação: “Agora é o início de um novo tempo”; “A eleição de Obama mudou a história”; “Estamos no limiar duma nova era”. Tudo bobagem das bem bobas! A história é sempre assim: um fluxo de acontecimentos, num fio contínuo, com tensões, rupturas, avanços e até recuos... “Nada de realmente novo debaixo do sol!” Querem Novidade que não passa, que não fica velha nunca, que dá sabor e sentido à história? Olhem para o Cristo, o Vencedor da Morte, Aquele que tem o Livro selado e pode abri-lo e traz nas mãos as chaves da Morte e do Abismo! O resto é tão fugaz, tão passageiro, tão limitado...

 

 

Somente uma imprensa boba, que já não conhece os valores cristãos, pode fazer uma leitura tão infantilóide de um pequeno fato, que por mais que tenha certa importância, está longe de ser fundamental para a história humana! É de bobagens assim que Cristo nos liberta! A ele – e só a ele – a glória para sempre! Amém.



Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 00h16
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O Bom Pastor que me procura

Das meditações do Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara:

  

Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha Vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a Vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. Dáveis mim essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

 

Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo, que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois, se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. Os perigos de viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! Oh, meu Deus, como tínheis a Vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as Vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na Vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

 

Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo Vosso. Foi a Vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demônio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demônio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, oh Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o Vosso inimigo.

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h11
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Verdades sobre Pio XII

Caro Internauta, mais notícias sobre o Servo de Deus Pio XII, repetidamente difamado de modo covarde e desleal. Este texto foi extraído de www.zenit.org.

 

Um rabino francês agradeceu a Pio XII e aos sacerdotes católicos pela ajuda prestada aos judeus perseguidos durante a Shoah. Trata-se do rabino André Zoui, capelão, capitão do corpo expedicionário francês, que se dirigiu a Pio XII em 22 de junho de 1944 e cuja carta se encontra entre as peças mais interessantes da exposição sobre a biografia de Pio XII, apresentada no dia 3 de novembro no Vaticano.

 

A exposição não busca dizer uma palavra sobre os fatos, gestos e palavras de Pio XII em favor dos judeus perseguidos, mas traçar o itinerário do Papa Eugenio Pacelli desde sua infância até sua morte em 1958, há 50 anos.

 

A exposição apresenta as facetas de sua personalidade, desde seu amor aos animais (ele aparece fotografado com um canário e alguns cordeiros), sua fascinação por todas as invenções modernas (seu barbeador elétrico e sua máquina de escrever, sua presença nas ondas da Rádio Vaticano), sua preocupação constante pelos mais necessitados (os colchões instalados até nas escadas do Palácio Apostólico ou em Castel Gandolfo para acolher os refugiados da 2ª Guerra Mundial, sem distinção), seu amor às artes (e seu salvamento de obras de arte durante o conflito, ou o concerto da Orquestra Filarmônica de Israel, em 25 de maio de 1955, em sinal de «gratidão por sua obra em favor dos judeus perseguidos durante a guerra»), suas repetidas intervenções durante a guerra, sua atividade diplomática, etc.

 

O rabino Zaoui recorda que pôde assistir a uma audiência pública do Papa «em 6 de junho de 1944, às 12h20», com «numerosos oficiais e soldados aliados». Menciona também sua visita ao Instituto Pio XI, «que protegeu durante mais de seis meses cerca de sessen60ta crianças judias, entre elas alguns pequenos refugiados da França».  Diz ter-se sentido impressionado pela «solicitude paternal de todos os professores» e cita esta frase do prefeito de estudos: «Não fizemos nada além do nosso dever».

 

Em 8 de junho de 1944, o rabino Zaoui resenha outro acontecimento do qual participou: a reabertura da sinagoga de Roma, fechada pelos nazistas em outubro de 1943. Assinala a presença de um sacerdote francês, o Pe. Benoit, «evadido da França», que se dedicou «ao serviço das famílias judaicas de Roma». O rabino resenha estas palavras do sacerdote e a forte impressão que tiveram na assembléia que o reconheceu e aclamou: «Amo os judeus de todo coração». Esta palavra recorda o rabino da de Pio XI, que diz assim: «Nós somos espiritualmente semitas».

 

André Zaoui expressa seu reconhecimento: «Israel não esquecerá jamais». A carta se encontra também reproduzida no elegante e muito cuidado catálogo da exposição, publicado sob a autoridade da Comissão Pontifícia de Ciências Históricas («O homem e o pontificado 1876-1958», 238 páginas, Livraria Editora Vaticana, p. 157).

 


O Papa Justo, vergonhosamente injustiçado.



Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 19h41
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   A Oração Eucarística IV: uma jóia!

Caro Internauta, mais abaixo coloquei a Oração Eucarística de São Basílio, para sua meditação. Eis, agora a nossa Oração Eucarística IV, do nosso Rito Latino. É decalcada da de São Basílio. Infelizmente quase nunca é usada pelos sacerdotes...

 

Nós proclamamos a vossa grandeza, Pai Santo,a sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas: criastes o homem e a mulher à vossa imagem e lhes confiastes todo o universo, para que, servindo a vós, seu Criador, dominassem toda criatura.

 

E quando pela desobediência perderam a vossa amizade, não os abandonastes ao poder da morte, mas a todos socorrestes com bondade, para que, ao procurar-vos, vos pudessem encontrar. E, ainda mais, oferecestes muitas vezes aliança aos homens e às mulheres e os instruístes pelos profetas na esperança da salvação.

 

E de tal modo, Pai santo, amastes o mundo que, chegada a plenitude dos tempos, nos enviastes vosso próprio Filho para ser o nosso Salvador. Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos a liberdade, aos tristes a alegria. E, para realizar o vosso plano de amor, entregou-se à morte e, ressuscitando dos mortos, venceu a morte e retornou a vida. E, a fim de não mais vivermos para nós, mas para ele, que por nós morreu e ressuscitou, enviou de vós, ó Pai, o Espírito Santo, como primeiro dom aos vossos fiéis parasantificar todas as coisas levando à plenitude a sua obra.

 



Escrito por Pe. Henrique às 16h15
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Sobre o Pio XII

Caro internauta, esta notícia apareceu em Zenit. É interessante e fidedigna...

 

Andrea Tornielli, vaticanista de «Il Giornale» e comissário da exposição «Pio XII – o homem e o pontificado (1876-1958)», que estará aberta ao público de 4 de novembro de 2008 a 6 de janeiro de 2009, no Braço de Carlomagno do Vaticano, revelou que foram encontradas as anotações nas quais Pio XII narra que viu o sol rodar quatro vezes por ocasião da proclamação do dogma da Assunção.

 

Tornielli explicou à Zenit que foi encontrado no arquivo familiar um manuscrito inédito no qual o Papa Pacelli descreve o «milagre do sol», um episódio do qual até hoje se havia falado só através do testemunho indireto do cardeal Federico Todeschini, que o contou durante uma homilia.

 

«Vi o ‘milagre do sol’, esta é a pura verdade», escreveu o Papa Eugenio Pacelli, referindo-se a um fenômeno similar ao que havia acontecido em Fátima, em 13 de outubro de 1917.

 


Fotografia autêntica das pessoas durante o milagre do sol em Fátima, 1917.

 

Na nota, que se pode ver na exposição, Pacelli recorda que em 1950, pouco antes de proclamar o dogma da Assunção (1º de novembro), enquanto passeava nos jardins vaticanos, assistiu várias vezes ao mesmo fenômeno que se verificou em 1917, ao final das aparições de Fátima, e o considerou uma confirmação celeste de tudo que estava por realizar.

 

Pio XII escreveu que era o dia 30 de outubro de 1950, às 16h: durante «o habitual passeio nos jardins vaticanos, lendo e estudando», à altura da praça da Senhora de Lourdes «rumo ao alto da colina, no caminho da direita que beira a muralha (...) fiquei impressionado por um fenômeno, que nunca até agora havia visto».

 

«O sol, que estava ainda bastante alto, aparecia como um globo opaco amarelado, circundado ao redor por um círculo luminoso», que, contudo, não impedia em absoluto fixar o olhar «sem receber o mais mínimo incômodo. Havia uma pequena nuvem adiante».

 

 

A nota de Pacelli continua descrevendo «o globo opaco» que «se movia para fora ligeiramente, seja girando, seja movendo-se da esquerda para a direita e vice-versa. Mas dentro do globo se viam com toda clareza e sem interrupção fortíssimos movimentos».

 

O Papa testifica ter assistido ao mesmo fenômeno «em 31 de outubro e 1º de novembro, dia da definição do dogma da Assunção, depois outra vez em 8 de novembro. Depois já não mais».

 

O Papa Pacelli menciona ter tentado «várias vezes» nos outros dias, à mesma hora e em condições atmosféricas similares, «ter olhado o sol para ver se aparecia o mesmo fenômeno, mas em vão, não podia fixar a vista sequer um instante, os olhos ficavam cegos».

 

O pontífice falou do sucedido com alguns cardeais e outros mais chegados, tanto que a Irmã Pascalina Lehnert, a religiosa governanta do apartamento papal, declarou ao respeito que «Pio XII estava muito persuadido da realidade do extraordinário fenômeno, ao qual havia assistido em quatro ocasiões».

 

 

Segundo Tornielli, existe um vínculo sólido entre a vida de Eugenio Pacelli e o mistério da Virgem Maria.

 

«Desde criança – sublinhou –, Eugenio Pacelli era devoto e estava inscrito na Congregação da Assunção, que tinha a capela perto da Igreja do Jesus. Uma devoção que parecia profética, já que foi precisamente ele quem declarou o dogma da Assunção em 1950.»

 

O futuro Papa celebrou sua primeira Missa como sacerdote em 3 de abril de 1899, no altar do ícone de Maria «Salus Populi Romani», na capela Borguese, da Basílica de Santa Maria a Maior.

 

«E depois – continua Tornielli –, Eugenio Pacelli recebeu a ordenação episcopal do Papa Bento XV na capela Sistina, em 13 de maio de 1917, dia da primeira aparição da Virgem em Fátima.»

 

Em 1940, em qualidade de pontífice, reconheceu definitivamente as aparições de Fátima, e em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.

 

Encontrou-se muitas vezes com a Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, e lhe ordenou que transcrevesse as mensagens recebidas de Nossa Senhora, convertendo-se, portanto, no primeiro pontífice em conhecer aquilo que durante anos foi conhecido como o terceiro segredo, e que João Paulo II divulgou.

 

Em 1º de novembro de 1950, após ter consultado os bispos do mundo inteiro, unanimemente concordes – só seis respostas sobre 1.181 manifestavam alguma reserva –, com a Bula Munificentissimus Deus, Pio XII proclamou o dogma da Assunção, como cumprimento do dogma da Imaculada Conceição.



Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 00h42
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   Ante o Deus Santo que nos salvou

Da Divina Liturgia (= Oração Eucarística) de São Basílio (século IV) do Rito bizantina:

 

Santo, santo, Tu és verdadeiramente santo, Senhor nosso Deus, e não há limite para a grandeza da Tua santidade: Tu dispuseste todas as coisas com correção e justeza.

 

Modelaste o homem com o barro da terra, honraste-o com a imagem do próprio Deus, colocaste-o num paraíso de delícias, prometendo-lhe – se observasse os mandamentos – a imortalidade e o gozo dos bens eternos.

 

Mas ele transgrediu os Teus mandamentos, Deus verdadeiro, e, seduzido pela malícia da serpente, vítima do seu próprio pecado, submeteu-se à morte. Pelo Teu justo juízo, foi expulso do Paraíso para este mundo, reenviado para a terra de onde havia sido tirado.

 

Mas Tu dispuseste para ele, no Teu Cristo, a salvação pelo novo nascimento, pois não rejeitaste para sempre a criatura que havias criado na Tua bondade; velaste por ela de muitas maneiras, na grandeza da Tua misericórdia. Enviaste profetas, fizeste milagres pelos santos que, em cada geração, Te foram agradáveis; deste-nos a Lei para nos socorrer; estabeleceste os anjos, para nos guardarem.

 

E, ao chegar a plenitude dos tempos, falaste-nos no Teu único Filho, por Quem criaste o universo; Ele que é o esplendor da Tua glória e a imagem da Tua natureza; Ele que tudo realiza pelo poder da Sua palavra; Ele, que não preservou ciosamente a Sua igualdade com Deus mas, desde toda a eternidade, veio à terra, viveu com os homens, tomou carne na Virgem Maria, aceitou a condição de escravo, assumiu o nosso corpo miserável, para nos tornar conformes ao Seu corpo de glória (cf. Hb 1,2-3; Fl 2,6-7; 3,21).

 

E, como foi pelo homem que o pecado entrou no mundo – e, pelo pecado, a morte –, agradou ao Filho único, a Ele que Se encontrava eternamente no Teu seio, ó Pai, mas que nasceu de mulher, condenar o pecado na Sua carne, a fim de que aqueles que haviam morrido em Adão tivessem a plenitude da vida em Cristo (Rm 5,12; 8,3). Enquanto viveu neste mundo, Ele nos deu preceitos de salvação, desviou-nos do erro dos ídolos, levando-nos a conhecer-Te, a Ti, Deus verdadeiro. Desse modo, conquistou-nos para Si como povo escolhido, sacerdócio real, nação santa (1Pd 2,9).

 


Rito bizantino: com todo tremor e temor,

o sacerdote apresenta ao Pai, no Espírito Santo,

os santos dons, que serão Corpo e Sangue

do senhor Jesus Cristo nosso Deus.



Escrito por Pe. Henrique às 15h12
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   Para pensar...

Uma meditação para você, meu caro Leitor....



Escrito por Pe. Henrique às 19h53
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O amor, verdadeira riqueza

Santo Agostinho de Hipona (354-430), bispoe doutor da Igreja:

 

O amor é muito poderoso: ele é a nossa força. Se não o temos, todo o resto não nos servirá de nada. «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, diz o apóstolo Paulo, se não tiver amor, sou como bronze que ressoa, ou como címbalo que tine» (1Cor 13,1). Escutai em seguida esta palavra magnífica: «Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita» (v. 3).

 

Se não tens senão o amor, mesmo que não possas distribuir nada com os pobres, ama. Darás apenas «um copo de água fresca» (Mt 10,42), e isso valer-te-á a mesma recompensa que Zaqueu, que tinha distribuído metade da sua fortuna (Lc 19,8). Como será isso? Um dá pouco, o outro muito e os seus gestos têm o mesmo valor?

 

O salmista diz: «Iremos à casa do Senhor». Vejamos nós se vamos também. Não são os nossos pés, mas os nossos corações que nos levam lá. Vejamos se vamos lá; que cada um de vós se interrogue: Que fazes tu pelo pobre fiel, pelo indigente teu irmão ou pelo mendigo que te estende a mão? Vê se o teu coração não é muito estreito... «Procurai o que faz a paz de Jerusalém» (Sl 121). O que é que faz a paz de Jerusalém? «A abundância para os que te amam» (Vulg.). O salmista dirige a palavra a Jerusalém: «Os que te amam estarão na abundância» – a abundância depois da pobreza.

 

Aqui em baixo, a miséria; lá em cima, a abundância; aqui a fraqueza; lá, a força; os que são pobres aqui, serão ricos lá em cima. Donde vem a sua riqueza? Do que deram aqui, dos bens que por algum tempo receberam de Deus; lá, eles recebem o que Deus lhes dá, por toda a eternidade.

 

Meus irmãos, aqui os ricos são pobres; é bom que o rico descubra a sua pobreza. Ele julga-se repleto? É inchamento, não plenitude. Que ele reconheça o seu vazio a fim de poder ser cumulado. Que é que ele possui? Ouro. Que lhe falta ainda? A vida eterna. Que ele olhe bem para o que tem e para o que lhe falta. Irmãos, que ele dê o que possui, a fim de receber o que não tem.

 

 

Icone do Bom Samaritano

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 19h33
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Que loucura, que covardia...

Caro Internauta, leia esta notícia incrível. Depois comentarei:

 

O Conselho Municipal de Oxford, na Inglaterra decidiu abolir qualque referência ao Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os eventos de 25 de dezembro e dos dias seguintes serão considerados “Festividades da luz de inverno”.

 

O objetivo alegado pelas autoridades municipais é de evitar a excessiva referência cristã, prejudicando as outras religiões.

 

Contra esta decisão ridícula protestaram imediatamente não somente anglicanos e católicos, mas também judeus e muçulmanos. Os fiéis islâmicos e de outras confissões – afirmou o Conselho Muçulmano de Oxford – “esperam com alegria o Natal”, uma festa especial que “não pode ser anulada com uma canetada”.

 

Aqui está o futuro da Europa. Primeiro criou-se um cristianismo mundano, que não se fundamente em Cristo, mas no politicamente correto e faz da fé simplesmente uma ética, faz da Igreja uma ONG e dos ministros sagrados assistentes sociais e agentes de conscientização política. Depois, negou-se toda dimensão sobrenatural do cristianismo e todo o seu direito de intervir na sociedade. Agora quer-se riscar quaisquer rastros que tenha deixado na história e na cultura. A Europa não é somente laica: é laicista e atéia. O processo que lá já vai adiantado, aqui no Brasil dá firmemente seus primeiros passos... E os cristãos, calados e indiferentes, não atentam para isso... Somos cristãos e nossa cultura deve permanecer cristã, com manifestações cristãs! Todos os de outras religiões devem ser profundamente respeitados; mas somos cristãos e negar isso é negar a nós mesmos. A Europa, num futuro não muito distante, será muçulmana, pela covardia dos cristãos...



Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 19h12
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   Naquele Dia, tomai conta do meu fim!

Caro Internauta, na Liturgia Latina pré-conciliar, catava-se no dia de hoje esta impressionante seqüência, agora cantada de modo opcional na última semana do Ano Litúrgico. Vale a pena meditar nas suas palavras neste Dia de Finados. Não se trata de um sentimento de desespero, mas de profunda consciência da pequenez humana e da necessidade absoluta da misericórdia do nosso Santíssimo Salvador, Jesus Cristo.

 

Dia de ira, aquele dia,

será tudo cinza fria:

diz Davi, diz a Sibila.

 

Que temor será causado,

quando o Juiz tiver chegado,

para tudo examinar!

 

 

 

 

Correrão todos ao trono

quando, em meio ao eterno sono,

a trombeta ressoar.

 

Morte e mundo se espantam,

criaturas se levantam

e ao Juiz responderão.

 

Vai um livro ser trazido,

no qual tudo está contido,

onde o mundo está julgado.

 

Quando Cristo se sentar,

o escondido vai brilhar,

nada vai ficar impune.

 

 

 

 

Eu, tão pobre, que farei?

Que patrono chamarei?

Nem o justo está seguro.

 

Rei tremendo em majestade,

que salvais só por piedade,

me salvai, fonte de graça.

 

Recordai, ó bom Jesus,

que por mim fostes à Cruz,

nesse dia me guardai.

 

A buscar-me, vos cansastes,

pela cruz me resgatastes,

tanta dor não seja vã.

 

 

 

 

Juiz justo no castigo,

sede bom para comigo,

perdoai-me nesse dia.

 

Pela culpa, se enrubesce

o meu rosto; ouvi a prece

e poupai-me, justo Deus.

 

A Maria perdoando

e ao ladrão, na cruz, salvando,

vós me destes esperança.

 

Meu pedido não é digno,

mas, Senhor, vós sois benigno

não me queime o fogo eterno.

 

 No rebanho dai-me abrigo,

arrancai-me do inimigo,

colocai-me à vossa destra.

 

 

 

 

Quando forem os malditos

para o fogo eterno, aflitos,

entre os vossos acolhei-me.

 

Dum espírito contrito

escutai, Senhor, o grito:

tomai conta do meu fim.

 

Lacrimoso aquele dia,

quando em meio à cinza fria

levantar-se o homem réu.

 

Libertai-o, Deus do céu!

Bom Pastor, Jesus piedoso,

dai-lhe prêmio, paz, repouso.

 

Vós, ó Deus de majestade,

vivo esplendor da Trindade,

entre os eleitos nos contai.

 

 



Escrito por Pe. Henrique às 14h29
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Palavras do Papa para hoje

 

Ontem, a festa de Todos os Santos nos fez contemplar a “Cidade do Céu, a Jerusalém celeste, que é nossa Mãe”.

 

Hoje, com o espírito ainda voltado para estas realidades últimas, comemoramos todos os fiéis defuntos que “nos precederam com o sinal da fé e que dormem o sono da paz”.

 

É muito importante que nós cristãos vivamos a relação com os defuntos na verdade da fé, e olhemos para a morte e o além à luz da Revelação. Já o Apóstolo Paulo, escrevendo às primeiras comunidades, exortava os fiéis a “não estarem tristes como os outros, que não têm esperança”.

 

“Se, de fato, - escrevia – cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por meio de Jesus, levará com ele os que são mortos” (1Ts 4,13-14).

 

Também atualmente é necessário evangelizar a realidade da morte e da vida eterna, realidades particularmente sujeitas a crenças supersticiosas e a sincretismos, para que a verdade cristã não corra o risco de misturar-se com mitologias de vários gêneros.

 

Na minha Encíclica sobre a esperança cristã, interroguei-me sobre o mistério da vida eterna (cf. nn. 10—12). Perguntei-me: a fé cristã é também para os homens e mulheres de hoje uma esperança que transforma e sustenta as suas vidas? E ainda mais radicalmente: os homens e mulheres da nossa época desejam ainda a vida eterna? Ou será que a existência terrena tornou-se seu único horizonte?

 

 

Na realidade, como já observava Santo agostinho, todos queremos a “vida feliz”, a felicidade. Não sabemos bem o que seja e como seja, mas nos sentimos atraídos para ela. Esta é uma esperança universal, comum a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. A expressão “vida eterna” procura dar um nome a esta espera insuprimível: não uma sucessão sem fim, mas o mergulho no oceano do infinito amor, no qual o tempo, o ante e o depois não existem mais. Uma plenitude de vida e de alegria: é isto que esperamos e aguardamos do nosso ser com Cristo.

 

Renovemos hoje a esperança da vida eterna fundada realmente na morte e ressurreição de Cristo. “Ressuscitei e agora estou para sempre contigo”, diz-nos o Senhor, e a minha mão te sustenta.

 

Em qualquer lugar em que caias, cairás nas minhas mãos e estarei presente até mesmo às portas da morte. Onde ninguém poderá mais acompanhar-te e onde tu mesmo não poderás levar nada, lá eu te espero para transformar para ti as trevas em luz.

 

Porém, a esperança cristã não é somente individual; é sempre também esperança para os outros. As nossas existências pessoais são profundamente ligadas umas às outras e o bem e o mal de cada um toca também os outros.

 

Por isso a oração de uma alma peregrina no mundo pode ajudar uma outra alma que se está purificando depois da morte. Eis por que hoje a Igreja nos convida a rezar pelos nossos caros defuntos e a determo-nos ante seus túmulos nos cemitérios.

 

Maria, estrela da esperança, torne mais forte e autêntica a nossa fé na vida eterna e sustente a nossa oração de sufrágio pelos nossos irmãos defuntos.

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h52
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Onde está, ó Morte, a tua vitória?

Das Cartas de São Bráulio de Saragoça (590-651), bispo:

 

Cristo, esperança de todos os crentes, chama aos que deixam este mundo não mortos mas adormecidos ao dizer: «Lázaro, o meu amigo, está a dormir» (Jo 11,11); o Apóstolo Paulo, por seu turno, não quer que estejamos «tristes por causa dos que adormeceram» (1Ts 4,13).

 

Por isso, se a nossa fé afirma que «todos os que crêem» em Cristo, segundo a palavra do Evangelho, «não morrerão jamais» (Jo 11,16), nós sabemos que eles não estão mortos e que nós próprios não morremos. É porque, «quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os que morreram em Cristo, ressurgirão» (1Ts 4,16).

 

Portanto, que a esperança da ressurreição nos encoraje, pois voltaremos a ver os que tínhamos perdido. Importa que acreditemos firmemente nele, quer dizer, que obedeçamos aos seus mandamentos, porque com o seu poder supremo ele acorda os mortos mais facilmente do que nós acordamos os que estão dormindo.

 

Eis o que nós dizemos e, contudo, não sei por que sentimento, refugiamo-nos nas lágrimas, e o sentimento da lamúria dá um primeiro corte na nossa fé. Ai de nós! A condição do homem é lamentável, e como é vã a nossa vida sem Cristo!

 

Mas tu, ó morte, que tens a crueldade de quebrar a união dos esposos e de separar os que estão unidos pela amizade, a tua força está desde já esmagada. De futuro, o teu jugo impiedoso é esmagado por aquele que te ameaçava pelas palavras do profeta Oséias: «Ó morte, eu serei a tua morte» (Os 13,14 Vulg). É por isso que, com o apóstolo Paulo, lançamos este desafio: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1Cor 15,55). Aquele que te venceu resgatou-nos, entregou a sua querida alma nas mãos dos ímpios, para fazer deles os seus queridos.

 

Seria muito longo relembrar tudo o que nas Santas Escrituras nos deveria consolar a todos. Que nos baste acreditar na ressurreição e erguer os nossos olhos para a glória do nosso Redentor, porque é nele que nós somos já ressuscitados, como a nossa fé nos faz pensar, segundo a palavra do apóstolo Paulo: «Se morremos por Ele, também com Ele reviveremos» (2Tm 2,11).

 


Cristo, nossa Vida e nosso Deus,
ressuscita sua Santíssima Mãe.
Note o detalhe: a alma de Maria nas mãos do Senhor.



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h54
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O surpreendente Bento XVI: Uma imagem incrível!

Caro Internauta, mais abaixo noticiei o encontro de Bento XVI com o físico Stephen Hawking, o teórico que procura provar que a ciência sozinha pode explicar que o mundo existe por si próprio...

Agora, brindo-lhes com esta impressionante imagem: o Santo Padre o abençoa, traçando sobre ele o sinal da santa cruz! O ilustre físico inglês não é um crente... Mas também não é um inimigo da religião... Bento XVI quer que a ciência não se feche para a fé e que mesmo um não crente  possa viver "como de Deus existisse"...

Eis a foto impressionante - diante de Deus somos todos tão pequenos, tão necessitados, tão amados: somos somente pó que o vento leva, mas com um coração sedento do Infinito! Nunca existiremos por nós próprios e o mundo nunca poderá ser explicado por si mesmo:


O Papa abençoa o Físico ateu.



Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 11h44
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   Uma rubrica errada...

Caro Leitor, pessoas que rezam o Ofício Divino (Liturgia das Horas) estão confusas porque no nosso Ofício de tradução portuguesa está escrito que quando o Dia de Finados cai num Domingo, então se reza o Ofício dos Defuntos e omite-se o do Domingo. É verdade: está escrito. E está errado.

 

No texto latino – que é o oficial – está escrito assim: “Quando dies 2 novembris in dominica ocurrit, etsi Missa fit de Commemoratione omnium fidelium defunctorum, celebratur Officium de dominica; Officium autem defunctorum omittitur. Attamen hac die fieri potest celebratio cum populi partecipatione Laudum matutinarum et Vesperarum de defunctis”. O nosso Diretório Litúrgico da CNBB traduziu assim: “Quando o dia 2 de novembro ocorre num Domingo, embora se celebrem as Missas próprias da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, diz-se o Ofício do respectivo Domingo do Tempo Comum, omitindo-se o Ofício dos Defuntos. No entanto, havendo participação do povo, pode-se celebrar as Laudes e as Vésperas do Ofício dos Defuntos”.

 

Mais uma coisa: Quem participou da Missa ontem à tarde já cumpriu o preceito dominical. Contudo é recomendável participar da Missa de hoje para rezar pelos fiéis defuntos, podendo, de acordo com as condições prescritas, receber e aplicar pelos mortos a indulgência plenária.

 

Espero que tenha ficado tudo claro... Quem tiver o Ofício Divino, volume IV, em português, corrija a rubrica para ficar claro na próxima vez.

 


Cristo, nossa Vida e Esperança, ressuscita Lázaro:
sinal da nossa Ressurreição -

Ele tem nas mãos as chaves da Morte e do Abismo! 



Escrito por Pe. Henrique às 11h15
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O mistério da morte

Da Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II:

 

Diante da morte, o enigma da condição humana atinge seu ponto alto. O homem não se aflige somente com a dor e a progressiva dissolução do corpo, mas também, e muito mais, com o temor da destruição perpétua. Mas o homem pensa retamente em seu íntimo, quando afasta com horror e repele a ruína total e a morte definitiva de sua pessoa. A semente de eternidade que ele leva dentro de si, não se reduzindo a só matéria, insurge-se contra a morte. Todas as conquistas da técnica, ainda que utilíssimas, não conseguem acalmar a angústia do homem. Com efeito, a prolongada longevidade biológica não lhe consegue satisfazer o desejo de viver sempre mais que existe inelutavelmente em seu coração.

 

Enquanto toda a imaginação fracassa diante da morte, a Igreja, contudo, instruída pela Revelação divina, afirma que o homem foi criado por Deus para um fim feliz, fora dos limites da miséria terrestre. Além disso, ensina a fé cristã que a morte corporal, da qual o homem seria subtraído se não tivesse pecado, será vendida quando o homem for reintegrado por Deus todo-poderoso e misericordioso na salvação que o mesmo homem perdeu por sua culpa. Na verdade, Deus chamou e chama o homem para si com a sua natureza inteira, para que dê sua adesão a Deus na comunhão perpétua da incorruptível vida divina. Cristo conseguiu essa vitória por sua morte, libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida. Para qualquer homem que reflete, a fé, apresentada com argumentos sólidos, dá uma resposta à angústia sobre a sorte futura. Ao mesmo tempo, a fé oferece a possibilidade de comunicar-se em Cristo com os irmãos queridos já arrebatados pela morte, trazendo a esperança de que eles tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus.

 

É certo que a necessidade e o dever obrigam o cristão a lutar contra o mal através de muitas tribulações e a padecer a morte. Mas, associado ao mistério pascal, configurado à morte de Cristo e fortificado pela esperança, irá ao encontro da ressurreição.

 

Isto é válido não somente para os cristãos, mas também para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça opera de modo invisível. Com efeito, tendo Cristo morrido por todos e, na verdade, sendo uma a vocação última do homem, isto é, divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade para se associarem, de um modo conhecido por Deus, a este mistério pascal.

 

Tal e tão grande é o mistério do homem que pela Revelação cristã brilha para os fiéis. Por Cristo e em Cristo, portanto, ilumina-se o enigma da dor e da morte, que fora de seu Evangelho, nos esmaga. Cristo ressuscitou, com sua morte destruindo a morte e concedendo-nos a vida para que, filhos no Filho, clamemos no Espírito: Abbá, Pai!

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h24
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Jesus, o Bem-aventurado

Dos Sermões do Bem-aventurado Isaac, abade cisterciense do Mosteiro da Estrela, no século XII:

 

Abrindo a boca para falar ao coração de Jerusalém, para lhe falar na solidão, isto é, sobre a montanha, Jesus diz: Bem-aventurados os pobres em espírito (Mt 5, 3).

 

A própria Bem-aventurança fala da bem-aventurança; o Pobre voluntário, da pobreza; o Rei, do reino; o Manso, da mansidão; o Consolador, da consolação; o Pão verdadeiro, da saciedade; a própria Misericórdia, da misericórdia; a Pureza dos corações, da purificação dos corações; o verdadeiro Pacificador e Filho por natureza, da pacificação e da filiação. O Verbo do Pai fala o que ele é; a sabedoria divina nos ensina o que ela é, e diz: Bem-aventurados os pobres em espírito.

 

Todos os homens, sem exceção, desejam a bem-aventurança; mas têm idéias muito diferentes a seu respeito. Para um, ela está no prazer dos sentidos e na suavidade da vida; para outro, na virtude da alma; para outro ainda, no conhecimento da verdade.

 

O Mestre de todos os homens, que só por amor se torna devedor dos sábios e dos insensatos, começa por corrigir os que se desviam; em seguida, dirige os que estão no caminho; e, enfim, acolhe os que batem à porta, conforme a palavra: Batei e a porta vos será aberta! (Mt 7, 7). Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida corrige, dirige, acolhe. Mas, ele começa com estas palavras: Bem-aventurados os pobres em espírito. A Sabedoria de Deus, o Filho por natureza, a Direita do Pai, a Boca que diz a verdade, proclama que bem-aventurados são os pobres, destinados a serem reis, reis do reino eterno. Ele parece dizer: Vós procurais a bem-aventurança, mas ela não está onde procurais; vós correis, mas fora do caminho. Eis o caminho que conduz à bem-aventurança: a pobreza voluntária por causa de mim. Tal é o caminho. O reino dos céus em mim, tal é a bem-aventurança. Vós correis, mas fora do caminho. Quanto mais rápido correis, mais vos desviais. O caminho é a pobreza, não é a bem-aventurança. Ora para se atingir o termo, é preciso seguir o caminho.

 

Não tenhamos medo, irmãos. Pobres, escutemos o Pobre recomendando aos pobres a pobreza. É preciso crer em sua experiência. Ele nasceu pobre, pobre viveu, pobre morreu. Ele quis morrer, sim; mas ele não quis se enriquecer. Tenhamos fé na Verdade que nos indica o caminho da vida. Ele é árduo, mas breve; e a bem-aventurança é eterna. Ele é estreito, mas conduz à vida, nos põe ao largo e nos fará caminhar por vastas regiões. Ele é íngreme, porque se eleva, e é para o céu que se dirige. Por isso, é bom que nos desembaracemos de tudo, a fim de não estarmos sobrecarregados em nossa caminhada. O que desejamos? Não é a bem-aventurança que procuramos? Pois a Verdade nos indica a verdadeira bem-aventurança. Não é a riqueza que buscamos? Pois o Rei distribui os reinos e nos torna reis.

 


O Cristo do Sudário: era assim o Rosto do Senhor!    



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 01h19
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Algumas análises pertinentes...

Repare só, caro Leitor, que lúcidas palavras do sociólogo Demétrio Magnóli, em trechos duma entrevista concedida à Veja nesta semana:

 

A palavra "direita" esteve associada no século XX ao fascismo e ao nazismo. Tais regimes foram condenados de maneira absoluta pela população mundial. Em países da América Latina, em particular, a direita foi ligada a regimes militares. Por isso, no Brasil, a expressão "direita" ainda é usada, embora cada vez com menor freqüência, como sinônimo de tudo o que deve ser rejeitado. Já o termo "esquerda" costuma ser relacionado a uma idéia de transformação humanista do mundo, imaginada a partir da Revolução Francesa e das lutas sociais do século XIX. Muita gente esquece que elas, em sua origem, deceparam milhares de cabeças por meio da guilhotina. Assim como esquece a brutalidade do stalinismo e do maoísmo, no século XX.

 

Nos países de democracia madura, o argumento "isso é de direita" não serve para encerrar uma discussão. Não gosto do governo Lula, mas ele está sendo bom para o nosso amadurecimento político. O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para os seus próprios fins e confunde estado com governo e partido. Com o tempo, os brasileiros vão se convencer de que os partidos de direita e de esquerda devem existir dentro de um mesmo espectro político, desde que aceitem a democracia. Essa mudança de percepção pode ser verificada nas últimas eleições municipais. A classe média de São Paulo, que no passado votou em massa em candidatos do PT, agora elegeu Gilberto Kassab e não o vê como um candidato da velha direita – apesar de pertencer ao DEM, o antigo PFL. Os eleitores não compraram a idéia de que as eleições eram a luta do bem contra o mal, como a campanha do PT tentou vender. O PT imbuiu-se, nessas eleições, da missão de eliminar o DEM. A idéia de eliminar um partido, de centro-direita ou não, é antidemocrática. O que o discurso do PT revela é o desejo de ser partido único. Resultado: a classe média que acreditou no PT agora desconfia de sua natureza democrática.

 


O Lula de olho...

 

A corrupção é um fenômeno muito antigo na história do Brasil e completamente suprapartidário. O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper – e que, claro, tem a ver com a sua visão de mundo. O partido apresentou um modo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nome de interesses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula. Isso provocou uma ruptura muito grande entre o partido e boa parte do seu eleitorado tradicional, principalmente nas grandes cidades.

 

A queda do Muro de Berlim fez muito mal ao PT. O fracasso da União Soviética e de seus satélites no Leste Europeu tirou de cena o foco da crítica petista, que em sua origem repudiava o chamado socialismo real. A partir daí, o partido tomou um rumo regressivo e foi dominado por três grupos. O primeiro é a corrente de origem castrista, representada, entre outros, por José Dirceu. O segundo é o dos sindicalistas, notadamente os que controlam a CUT. O terceiro é formado pelas correntes católicas ligadas à Teologia da Libertação, cujo principal representante é Frei Betto, que foi um alto assessor de Lula. Com isso, o PT adotou uma ideologia retrógrada do estado como salvador da sociedade. Deixou de fazer qualquer crítica ao socialismo real – a não ser em dias de festa, em documentos para inglês ver – e passou a falar como um velho partido comunista de outros tempos. O PT se tornou uma agremiação de esquerda estatizante, para a qual a história é uma ferrovia cujo destino final é a redenção da humanidade – e que vê a si própria como a locomotiva do comboio. Esse é o conceito de história que deveria ter desaparecido depois de 1989, com a queda do Muro de Berlim. Ao encampá-lo, o PT se tornou uma espécie de relíquia.

 


... para se eternizar no poder.

 

A falta do espelho do socialismo real na União Soviética e no Leste Europeu faz com que a esquerda latino-americana se entusiasme com governantes como Hugo Chávez. A esquerda latino-americana ainda imagina que deve construir o mundo de novo. Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Lula são muito diferentes entre si. Mas o que há em comum entre os partidos e os movimentos que apóiam esses governantes é a noção do estado como instrumento de salvação. Essa é uma idéia fundamentalmente antidemocrática. Não há nada parecido com isso fora da América Latina.

 

A política externa brasileira tem duas cabeças. A oficial, que segue a linha histórica do Itamaraty, e a extra-oficial, que é a política externa do PT, representada por Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, que boicota a diplomacia tradicional. Garcia acha que a integração latino-americana deve ser feita em bases nacionalistas e antiamericanas, quase chavistas. Ele recusa que a América do Sul deva participar da globalização – o que significa recusar a realidade. Por isso, o Brasil deixou de falar duro com Evo Morales diante do aparatoso cerco militar às instalações da Petrobras, das intimidações contra agricultores brasileiros na Bolívia e da ruptura unilateral de contratos que estabeleciam o valor das refinarias. Logo, logo vamos ter uma crise no Paraguai. Temo que o governo Lula faça pouco para defender os agricultores brasileiros naquele país.

 


Demétrio Magnoli



Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 00h55
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Anunciamo-vos Jesus, o Cristo Salvador!

Das homilias do Servo de Deus Paulo VI, papa de 1963 a 1978:

 

Cristo! Sinto a necessidade de anunciá-lo; não posso calá-lo: "Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16). Sou enviado por ele para isso mesmo; sou apóstolo, sou testemunha.

 

Quanto mais longe está o objetivo e mais difícil é a missão, mais premente é o amor que me impele (2Cor 5,14). Devo proclamar o seu nome: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16).

 

É ele que nos revela o Deus invisível, o primogênito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas (Cl 1,15s). Ele é o Mestre da humanidade e o Redentor: nasceu, morreu e ressuscitou por nós; é o centro da história e do mundo. É quem nos conhece e nos ama; é o companheiro e o amigo da nossa vida. É o homem da dor e da esperança; é o que deve vir e que será um dia nosso juiz e também, assim o esperamos, a plenitude eterna da nossa existência, a nossa felicidade.

 

Christ Pantocrator, Chora Church, Istanbul, Turkey

 

Nunca mais acabaria de falar dele: ele é a luz, é a verdade; muito mais, é "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ele é o Pão, a Fonte de água viva que responde à nossa fome e à nossa sede (Jo 6,35; 7,38); ele é o Pastor, o nosso guia, o nosso exemplo, o nosso reconforto, o nosso irmão.

 

Como nós, e mais do que nós, foi pequeno, pobre, humilhado, trabalhador, infeliz e paciente. Para nós, falou, realizou milagres, fundou um Reino novo onde os pobres são bem-aventurados, onde a paz é o princípio da vida em comum, onde os que têm o coração puro e os que choram são exaltados e consolados, onde os que aspiram à justiça são atendidos, onde os pecadores podem ser perdoados, onde todos são irmãos.

 

Jesus Cristo: vós já ouvistes falar dele e até a maioria de vós pertence-lhe; vós sois cristãos. Pois bem! A vós, cristãos, eu repito o seu nome, a todos anuncio: Jesus Cristo é "o princípio e o fim, o alfa e o ômega" (Ap 21,6). Ele é o rei do mundo novo; é o segredo da história, a chave do nosso destino; ele é o Mediador, a ponte entre a terra e o céu...; o Filho do homem, o Filho de Deus..., o Filho de Maria... Jesus Cristo!

 

Lembrai-vos: é o anúncio que fazemos para a eternidade, é a voz que fazemos ressoar por toda a terra (Rm 10,18) e para os séculos que hão de vir.

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 00h33
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